11 de outubro de 2026

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Violência política contra mulheres cresce 11 vezes e acende alerta

POLITICA Violência 11/10/2026 08:54 Agência Brasil hojeemdia.com.br

Levantamento mostra aumento de 11 vezes nos casos de violência política contra mulheres entre 2022 e 2026, com 177 processos no TSE. Durante a campanha eleitoral, foram 134 casos, sendo 70 contra mulheres. O Disque 180 registrou 1.564 denúncias. Mulheres negras são as principais vítimas. A deputada Ana Elisa sofreu ameaças de morte e estupro.

A data de 10 de outubro marca a luta por conquista de direitos das mulheres. Neste mês, organizações sociais e fontes do governo registraram aumento nos casos de agressões políticas de gênero. Dados do TSE mostram que esses ataques aumentaram 11 vezes entre 2022 e 2026, passando de 15 para 177 processos.

A data, celebrada neste sábado (10), foi criada para lembrar o ato histórico de 1980, quando mulheres se reuniram nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo para protestar contra o aumento dos crimes de gênero no país.

  • Processos de violência política contra mulheres aumentaram 11 vezes entre 2022 e 2026, de 15 para 177.
  • Durante a campanha eleitoral, foram 134 casos até o primeiro turno, sendo 70 contra mulheres.
  • Disque 180 recebeu 1.564 denúncias de violência política entre janeiro e agosto de 2026.
  • Mulheres negras e pardas são as principais vítimas, representando 53% das denúncias.
  • A deputada Ana Elisa denunciou ameaças de morte e estupro durante a campanha.

No atual contexto eleitoral do Brasil, um levantamento das organizações Terra de Direitos e Justiça Global mostrou que houve 134 casos de violência política durante a campanha até o primeiro turno das eleições, no último domingo (4). Isso representa um caso a cada nove horas. Do total, 70 casos tiveram mulheres como vítimas (52,2%).

Dos 102 episódios que atingiram apenas candidatos, 60 tiveram mulheres como vítimas (58,8%). Embora as mulheres representem cerca de um terço das candidaturas, elas foram alvo em mais da metade dos casos de violência.

Dados da Central de Atendimento à Mulher (Disque 180) mostram que o número de denúncias de violência política contra mulheres chegou a 1.564 entre janeiro e agosto de 2026.

Mulheres negras e pardas são as principais vítimas. Das 1.564 denúncias, mais de 53% (842) foram de violência política contra elas. Em seguida, 590 (37,72%) denúncias foram de mulheres brancas. As outras 132 (8,44%) envolveram mulheres de outras raças.

No final de setembro, organizações da sociedade civil entregaram ao TSE um documento com várias denúncias de agressões contra mulheres candidatas nas eleições de 2026. Os casos incluem violência física e verbal, além de ataques e ameaças de morte e estupro.

Caso concreto

As ameaças de morte e violência sexual denunciadas nesta semana pela deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) mostram o cenário de violência política no Brasil durante as eleições de 2026. Ela denunciou à Polícia Civil as ameaças que recebeu durante a campanha.

Segundo a parlamentar, as mensagens incluem ataques machistas, racistas e ameaças de estupro. Ela também contou que seus dados pessoais, como endereço, telefone e documentos, foram expostos. Por isso, o partido contratou segurança armada para protegê-la.

Ana Elisa recebeu 524.219 votos nas eleições para deputada federal em 2026, tornando-se a segunda mais votada em Minas Gerais, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL).

Ela também se tornou a mulher mais votada da história de Minas Gerais para a Câmara dos Deputados e a deputada federal mais jovem já eleita no Brasil.

Ministério da Mulher

A secretária Nacional de Articulação Intersetorial e Interfederativa e Participação Política do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, relaciona a violência política contra as mulheres a um problema maior, marcado pelo aumento da misoginia (ódio contra mulheres e meninas), da violência doméstica e do feminicídio na sociedade patriarcal.

É assustador porque as violências políticas são, no fundo, questões estruturais, seja no limite da ameaça à vida, seja nas violências cotidianas e veladas que tentam desestimular a participação da mulher na política.

Outros casos

O assassinato a tiros da vereadora Marielle Franco (Psol-SP), mulher negra e LGBTQIA+, em março de 2018, em via pública do Rio de Janeiro. A deputada estadual de São Paulo Isa Penna (Psol-SP) foi apalpada na região do seio pelo também deputado Fernando Cury durante sessão na Alesp, em dezembro de 2020; ele foi condenado por importunação sexual. A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), em 2014, ouviu do então deputado federal Jair Bolsonaro que ela não mereceria ser estuprada por ser muito feia e que não fazia seu tipo. A retirada da escolta armada da deputada federal Talíria Petrone (PSol-RJ), em julho deste ano, mesmo sob ameaça de milicianos. As interrupções sistemáticas das falas denunciadas pelas senadoras Simone Tebet (PSB-MS) e Soraya Thronicke (PSB-MS) e o rótulo de nervosas dado durante as sessões da CPI da covid-19, em 2021, no Senado Federal.

Mulheres em situação de violência política e qualquer outra pessoa que tenha conhecimento da ocorrência deste crime contra uma mulher pode comunicar o fato em diferentes canais institucionais do poder Executivo, Ministério Público Eleitoral, Justiça Eleitoral e autoridade policial. Entre eles estão:

  • Central de Atendimento à Mulher Ligue 180: atendimento gratuito, humanizado e sigiloso, 24 horas por dia. Denúncias pelo telefone 180, WhatsApp (61) 9610-0180, e-mail [email protected] e videochamada em Libras.
  • Ouvidoria das Mulheres do Conselho Nacional do Ministério Público.
  • Procuradoria-Geral Eleitoral, por meio da Sala de Atendimento ao Cidadão do Ministério Público Federal.
  • Ouvidoria Nacional da Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
  • Polícia Federal, por meio do canal Comunica PF e nas delegacias de Polícia nos estados.
  • Grupo de Trabalho Mulheres da Defensoria Pública da União (DPU), para assistência e orientação jurídica.
  • Em casos de emergência, acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

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